Sutra das Oito Realizações 


 

Eu, que sigo os Ensinamentos do Buda

Devo concentrar-me seriamente de manhã à noite

Com resolução no meu coração, nestes Ensinamentos do Buda

Que nos deu a liberdade de compreender o sofrimento.

 

Esta é primeira das coisas a lembrar-me:

Em todas as partes do mundo não há nada que seja permanente.

Até a Terra tem a natureza da mudança.

Os corpos são centros de tristeza e vacuidade.

Todas as minhas partes são destituídas de individualidade,

São dependente de causas e por isso impermanentes,

Modificam-se, deterioram-se e saem de controlo.

As expectativas da permanência causam decepção,

Formando apegos que levam ao mal.

Observando o mundo nesta perspectiva, possa eu diariamente

Progredir em direcção à liberdade do nascimento e da morte.

 

Esta é a segunda coisa de que me devo lembrar:

O desejo excessivo só me traz sofrimento.

Nascimento e morte, tristeza e cansaço pertencem todos ao

Apego ganancioso e às coisas deste mundo.

Mas o controle do desejo corta a raiz da infelicidade,

Deixando o corpo e a mente tranquilas.

 

Esta é a terceira das coisas a lembrar-me:

Ânsias insaciáveis das coisas deste mundo

Só causam que eu acumule mais posses inúteis,

Aumentando os meus motivos de transgressão e maus actos.

Um investigador da liberdade deve libertar-se da ânsia

E, vendo esta inutilidade, germina o contentamento.

Rejeitando as bugigangas da vida e buscando o Caminho

Preocupar-me-ei somente com as vantagens da libertação.

 

Esta é a quarta das coisas a lembrar-me:

A minha preguiça leva à minha própria degradação.

Devo trabalhar sempre, tanto quanto possa,

Como só por isso, eu possa resolver todos os meus problemas

E assim ser libertado das coisas que me atormentam,

Escapando finalmente para Luz Infinita.

 

Esta é a quinta das coisas a lembrar-me:

As raízes da infelicidade brotam da minha ignorância.

Eu que sigo o Buda, devo lembrar-me de

Escutar e ler para desenvolver o meu conhecimento,

Para ajudar outros sofredores, esperando

Trazer os seres sencientes à libertação do Nirvana

E despertar em todos eles a felicidade da Iluminação.

 

Esta é a sexta das coisas a lembrar-me:

O mal que se sente é muitas vezes ocasionado pela pobreza

Conduzindo à discórdia e fomentando a infelicidade.

Seguindo o exemplo do Buda, eu devo sempre

Tratar cada um com amor e respeito.

Não tendo malícia para com alguém, devo viver no contentamento

Ajudar e estimular todos os seres para a Paz.

 

Esta é a sétima das coisas de que me devo lembrar:

As paixões levam-me a transgredir e a entristecer-me,

Mas os estudantes do Dharma não se afrouxam

Confiando no prazer de trazerem a felicidade.

É melhor pensar nos monges com os seus mantos,

Que são felizes e livres das causas da miséria.

Vendo os benefícios trazidos pelos Ensinamentos,

Firmemente resolvo alcançar a Iluminação,

Ser um bom exemplo para outros,

Na esperanças que eles também ganharão esta libertação.

 

Esta é a oitavo das coisas a lembrar-me:

Às chamas da existência é difícil escapar.

Elas trazem-nos dor e tristeza ilimitadas.

Assim decido despertar da minha letargia

E, sentindo preocupação por todos os seres sencientes,

Que acorde em mim uma dedicação intensa

Que me deixe resistir a toda a minha dor com paciência,

Evitando deixar o meu próximo de fora

Mas ajudando-o, também, a alcançar a Paz Perfeita.

 

Estes são os preceitos que levam à iluminação,

Este é o caminho que foi pisado pelos Buddhas,

Os grandes Boddhisattvas e os discípulos do Buda.

As verdades de que eles se lembraram e que lhes trouxe a libertação.

Segui-los-ei cuidadosamente, constantemente tentarei

Desenvolver a compaixão e a sabedoria em conjunto

Para me ajudar a escapar para a margem oposta

Pelo qual, libertado do sofrimento, possa voltar

Ao reino do Samsara em conforto e alegria,

Trazendo liberdade e paz a todos os seres sencientes.

Estas afirmações são instrumentos que me ajudarão a lembrar.

Para seguir sempre os Ensinamentos,

Lembrar-me-ei destas oito formas de ver a vida,

Ganhando a sabedoria e a paz do Nirvana

Já que, só por isto me libertarei para sempre

Da roda do renascimento com a sua dor e a sua tristeza,

E por ultimo e para sempre encontrar finalmente o descanso. 


Traduzido de:   http://www.purifymind.com/EightRealizations.htm





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