Quem és tu e onde podes ser encontrado?


Pelo Lama Thubten Yeshe



Um das práticas essenciais do tantra é a da união com a divindade.
Quando praticamos tantra, nós temos que emergir como a divindade
que estamos praticando. Para fazer isto correctamente, precisamos de
experimentar um certo grau de não dualidade. Se não o fizermos, vamos
pensar que o nosso surgir como a divindade é igual ao surgir como
uma flor ou uma parede. Isto não fará sentido. Na realidade, há
uma intenção incrível em surgir como a divindade, mas há uma grande
diferença entre surgir como uma flor e surgir como uma divindade.

Isto é essencial para dissolver a projecção normal do ego, no
sistema nervoso do corpo físico; absorver a imagem que a nossa
concepção de ego sente instintivamente -- que eu ocupo o centro do espaço
circundante; Thubten Yeshe está em algum lugar aqui. Onde está Thubten
Yeshe? O meu ego interpreta instintivamente que eu estou aqui,
em algum lugar no meu corpo. Verifique isto por si mesmo. Veja o que surge na
sua mente quando você pensa no seu nome. A montanha enorme de
si mesmo, surgirá. Então verifique onde exactamente, aquela montanha
de "mim" pode ser encontrada. Onde está você? Em algum lugar ao redor
do seu corpo. Você está no seu tórax, na sua cabeça?
Você sente isto instintivamente. Você não tem que estudar
filosofia para aprender isto; você não tem que ir para a escola; os seus
pais não o ensinaram. Você já tinha conhecimento disto antes de ter
nascido. O Budismo descreve dois tipos de identidade do ego:
kun-tag e lhen-kye. Um, sobre o qual estou falando, é lhen-kye,
o simultaneamente nascido; o que simplesmente existe
porque você existe. Nasceu com você; não precisa de nenhuma
influencia exterior para a sua existência. Como o cheiro que vem
do pinheiro, eles são um. O pinheiro não cresce primeiro e
então o cheiro vem depois. Eles vêm juntos. Passa-se o mesmo
com o significado inato do ego; vem com a concepção.
Kun-tag significa a faculdade de sentir aquilo que é filosoficamente
adquirido. É algo que você aprende vindo do exterior por
influencia de professores, amigos, livros e assim sucessivamente.
Isto é a intelectualidade derivada do ego. Você já imaginou?
Você pode igualmente adquirir um ego através da leitura.
Este é sem duvida mais fácil de remover, porque é mais superficial.
É de concepção grosseira. É muito mais difícil libertarmo-nos das
faculdades nascidas do ego.
Esta concepção instintiva do ego está realmente convencida que é
ao redor do meu corpo onde você encontrará Thubten Yeshe.
Alguém olha para mim e pergunta, "Você é Thubten Yeshe?" "Sim," respondo eu,
"Eu sou Thubten Yeshe." Onde Thubten Yeshe está? Aqui em redor de mim.
Instintivamente, eu sinto que estou aqui mesmo. Mas eu não sou o único
que sente assim. Verifique em si mesmo esta situação. É muito interessante.

Até aos seis anos de idade, eu não era Thubten Yeshe. Aquele nome
foi-me dado quando eu me tornei um monge no Mosteiro de Sera. Antes
disso, ninguém me conheceu como Thubten Yeshe. Eles viam-me como
Döndrub Dorje. Os nomes Thubten Yeshe e Döndrub Dorje são
diferentes; superstições diferentes dão diferentes tipos de
nomes. Eu sinto que o meu nome sou eu, mas de fato, não é. Nem
os nomes Thubten Yeshe nem Döndrub Dorje são eu. Mas no momento
em que me foi dado o nome de Thubten Yeshe, Thubten Yeshe veio à
existência. Antes de me ter sido dado o nome, ele não existia;
ninguém olhou para mim e pensou, há um Thubten Yeshe." Eu
nem pensei em mim mesmo. Thubten Yeshe não existe.
Mas quando uma concepção supersticiosa deu nome a esta ilusão, - o meu
corpo -"Teu nome é Thubten Yeshe"-o meu desejo levou a isto:
" Sim, Thubten Yeshe sou eu." É uma relação interdependente.
Um desejo dá o nome Thubten Yeshe a
esta ilusão de relatividade e o meu ego começa a sentir isso .
Thubten Yeshe realmente existe em algum lugar na área do meu
corpo.
Porém, a realidade é que aquele Thubten Yeshe é meramente as secas
palavras aplicadas á fantasia, como fenómeno, destes cinco
agregados. Estas coisas vêm juntas e isso é isto: Thubten
Yeshe, o nome na ilusão. É uma visão muito superficial.
O sentimento instintivo do ego que Thubten Yeshe existe
em algum lugar ao redor daqui é muito superficial.
Você pode ver que a realidade relativa de Thubten Yeshe é
simplesmente o nome que é dado a esta ilusão de energia.
Isso é tudo o que Thubten Yeshe é. Isto, porque o grande filósofo
e iogue Nagarjuna e o grande iogue Lama Tsong Khapa ambos
disseram que todos os fenómenos somente existem em nome. Como resultado,
alguns estudantes de budismo Ocidentais cedo decidiram que Nagarjuna
era um niilista. Isto é uma conclusão á qual só poderá chegar
alguém que não pratica e gasta todo o seu tempo
lidando com conceitos e palavras.

Se eu fosse aparecer em algum lugar e de repente anunciar, "Eu sou meramente
nomes", as pessoas pensariam que eu estava louco. Mas se você
investigar em detalhe, a maneira pela qual, nós somos meros
nomes, as coisas ficam extremamente claras. Os niilistas rejeitam a
existência de fenómenos interdependentes mas não foi isso que
Nagarjuna fez. Ele explicou simplesmente, que os fenómenos relativos
existem, mas que nós devemos vê-los de modo razoável. Eles
vem e vão; crescem e morrem. Recebem vários nomes
e ganham um grau de realidade aparente na mente.
Mas que a mente não vê a natureza mais profunda dos
fenómenos; não percebe a totalidade da existência universal.

Os fenómenos têm duas naturezas: a convencional, ou relativa, e
a absoluta, ou última. Ambas as qualidades existem simultaneamente
em cada e todo o fenómeno. O que eu tenho vindo a falar é no modo de como
as ilusões da relatividade existem convencionalmente. Um fenómeno
relativo entra em existência quando, em qualquer determinado
momento, a associação de desejo e o conceito de gosto do ego
num objecto, lhe dão de um modo muito particular um nome.
Aquela combinação - o objecto, o desejo dado no nome, e o nome
em si mesmo - é tudo aquilo que é preciso para um aparente
fenómeno existir. Quando essas coisas vem juntas, existe
Thubten Yeshe. Ele está vindo; Ele vai; Ele está falando.
É tudo uma ilusão de relatividade.
Se agora mesmo você pode ver que Thubten Yeshe é uma ilusão, isso é
excelente. Ajuda muito. E se você poder relacionar a experiência de me ver
como uma ilusão, com outros objectos concretos que você perceba, então
isso ajudará ainda mais. Se você pode ver os tristes objectos que atemorizam
o seu coração e o enlouquecem com a ilusão da vibração que produzem, então
eles não o subjugarão. O seu coração parará o temor, tranquilizar-se-á e descansará.

Se eu lhe mostrar um espantalho e lhe perguntar se é Thubten
Yeshe, você provavelmente dirá que não é. Por que não? "Porque é
feito de madeira." Diria você numa resposta pronta. Você pode aplicar
exactamente a mesma lógica para o argumento de que esta ilusão de um
corpo não é Thubten Yeshe.
Eu acredito muito fortemente que isto é por causa dos incontáveis
tempos de tempo que passaram desde que eu nasci até agora e que o meu ego
imprimiu a ideia "isto sou eu" na minha consciência. "Eu.
Este sou eu. Esta ilusão sou eu, eu, eu". Mas esta ilusão, ela mesma
não é Thubten Yeshe. Nós sabemos que é composto dos quatro
elementos. Porém, o elemento terra não é Thubten Yeshe; a
água não é Thubten Yeshe; o fogo não é Thubten Yeshe; o
ar não é Thubten Yeshe. As partes do corpo não são
Thubten Yeshe. A pele não é Thubten Yeshe; o sangue
não é Thubten Yeshe; os ossos não são Thubten Yeshe; o
cérebro não é Thubten Yeshe. O ego não é Thubten Yeshe.
A crença não é Thubten Yeshe. A combinação de tudo isto
não é Thubten Yeshe nem qualquer um deles são, Thubten Yeshe já
existiria antes do nome ter sido determinado. Mas antes desta
combinação foi chamado Thubten Yeshe, ninguém reconheceu isto como
Thubten Yeshe e eu não reconheci isto como sendo eu, Thubten Yeshe.
Então, a combinação de todas estas partes não são Thubten Yeshe.
Se nós chamarmos o espantalho Thubten Yeshe e então analisarmos isto para
ver onde exactamente Thubten Yeshe pode ser encontrado, nós não podemos encontrar
Thubten Yeshe em qualquer das partes ou em todas juntas.
Isto é fácil de entender. É exactamente a mesma coisa com a ilusão dos
meus agregados. Nenhuma qualquer, ou única
parte constituinte, nem a combinação inteira é Thubten Yeshe.
Nós também sabemos que o nome só, não é Thubten Yeshe. Assim o que é
e onde está Thubten Yeshe? Thubten Yeshe é simplesmente a
condimentada combinação de crença num objecto com as
palavras, "Thubten Yeshe." Isto é tudo aquilo que Thubten Yeshe é.
Além do nome, nenhum real Thubten Yeshe existe
em algum lugar. Mas o ego simultaneamente nascido não entende
que Thubten Yeshe somente existe como uma interdependente
combinação de partes. Acredita sem dúvida, que ao redor daqui, em algum lugar,
existe uma realidade concreta e independente de Thubten Yeshe. Esta é a natureza do
ego simultaneamente nascido. Então, se nós não removemos
concepções como, "Em algum lugar desta ilusão, eu sou Thubten
Yeshe", nós não conseguiremos libertar o ego.


A concepção do ego é uma mente extrema. Prende-se muito
concretamente á ideia, de que em algum lugar, dentro desta ilusão do
corpo, da combinação dos quatro elementos, há lá um eu que existe.
Isto é uma falácia de que nos temos que libertar. Se a mente ego,
avaliou a situação razoavelmente, ficou confortável e
satisfeita, percebendo, que o desejo de dar o nome Thubten
Yeshe para esta interdependente ilusão dos quatro elementos, era bastante
para Thubten Yeshe existir, isto será uma história diferente.
Mas ele não está satisfeito com isso. Não pode ficar só.
Quer ser especial. Quer que Thubten Yeshe seja concreto.
Não está satisfeito que Thubten Yeshe seja um mero nome numa
colecção de partes. Então, concebe um imaginário,
irreal, exagerado e concreto ego entidade. O método que devemos
usar para remover aquela concepção, é transformar a nossa ilusão de
relatividade em luz.

Por gentileza do Dr. Nicholas Ribush



Extraído de: http://www.lamayeshe.com/lamayeshe/whoareyou.shtml