Samadhi

Felicidade 

 
NAMO TASSA BHAGAVATO ARAHATO SAMMABUDDHASA
         HOMENAGEM AO BENDITO, O ESPIRITUALMENTE PREFEITO, O HARMONIOSAMENTE DESPERTO. 
 

O que é a ‘Felicidade’?
Quando falamos de Felicidade nos Ensinamentos do Buddha, ‘Felicidade’ não é Prazer Sensorial. Devemos distinguir entre Prazer Sensorial e Felicidade.
 
Normalmente temos tendência a pensar nas sensações agradáveis como “felicidade", e nas sensações desagradáveis como "infelicidade". E então, o que fazemos é ir atrás do prazer e tentamos evitar a dor, e assim toda a nossa vida resulta na realidade num esforço por maximizar o prazer e minimizar a dor.
 
E por fim, como resultado, a nossa vida inteira torna-se uma vida de infelicidade; porque se realmente queremos só felicidade ou prazer, e nada de dor, o que queremos é prazer permanente; e o prazer permanente é impossível, porque tudo no mundo é impermanente, portanto nunca podemos ter prazer permanente.
 
O prazer acaba-se e temos de nos encontrar com a dor... Vemo-nos confrontados com ter de suportar a dor... Assim funciona a vida...
 
E se vamos atrás dos prazeres pensando que vamos atrás da felicidade, nunca seremos felizes.
 
É por isto que para o Buddha a felicidade não é uma sensação.
 
A felicidade não se obtém por intermédio da estimulação dos sentidos. A felicidade é um estado mental.
E esse estado mental é um estado sem perturbação.
 
 
A perturbação é a infelicidade.
 
A mente que não está perturbada, e está tranquila, isso é a felicidade.
 
 
 
Tensão, Incomodidade, e libertação da Tensão.
 
Então, como é que a nossa mente se perturba?
 
A nossa mente perturba-se principalmente porque reagimos à estimulação dos sentidos.

Quando os sentidos são estimulados reagirmos a eles, e essa é a perturbação.
 
Quando há uma sensação agradável, se reagirmos a ela com desejo, isso é uma perturbação da mente.
E no momento em que um desejo surge, na realidade estamos infelizes e incómodos, até que tenhamos obtido o que desejamos...
 
E é por isso que começamos a actuar para obter o que desejamos. É por isso que, no momento em que desejamos algo, nesse momento, o nosso corpo torna-se tenso, e é essa tensão que nos dá incomodidade...
 
E a acção para obter o que desejamos, é a libertação dessa tensão. E a tensão não é completamente liberta até que obtenhamos o que desejamos.
Só quando tivermos obtido o que desejamos, é que a tensão é libertada, e essa libertação da tensão é o que chamamos "felicidade".
 
Quando tivermos obtido o que desejamos, se estamos felizes, é simplesmente porque se deu a libertação da tensão.
 
È por isto que Freud chamou ao prazer, "a libertação da tensão".
 
Verão, que se não nos pusermos tensos em absoluto, e que, se a nossa mente estiver sempre tranquila, estaremos sempre felizes!
 
E quando a nossa mente é perturbada, não só nos estamos fazendo infelizes a nós mesmos, como também estamos criando infelicidade a outros...
 
Quando cobiçamos coisas, pode acontecer que as disputemos com outras pessoas... começamos a tomar coisas que pertencem a outras pessoas... ferimos as outras pessoas...e quando estamos irados, novamente, ferimos as outras pessoas... e quando estamos assustados, também ferimos as outras pessoas...
 
Então, de variadas formas a nossa perturbação emocional é o que está criando infelicidade tanto a nós mesmos como também aos outros...
 
E mesmo que pensemos que estamos bem, e tentemos ir atrás dos prazeres, nunca estaremos realmente satisfeitos... Porque, o que seja que obtenhamos, queremos sempre mais, queremos sempre algo melhor, ou queremos algo por um período maior... Há sempre qualquer coisa mal com o que obtemos. Portanto nunca estamos satisfeitos.
E portanto, essa procura pelo prazer não nos trará realmente felicidade.
 
Purificação da Mente: Construir a Tranquilidade Mental.
 
Outra coisa que ocorre é que não podemos pensar correctamente quando a nossa emoção está agitada, excitada... e dessa maneira nunca seremos realmente capazes de encontrar o caminho e a felicidade.
 
O que é na verdade o estado de tranquilidade?
 
Esse estado de tranquilidade era algo que já existia. Perdemo-lo quando nos excitamos.
 
Então tudo isto de procurar a felicidade é real e simplesmente um esforço por retornar ao nosso estado original de tranquilidade. Mas esquecemo-nos que a felicidade real já está dentro de nós mesmos e que a estamos procurando exteriormente.
 
É por isto que o Buddha assinala, que a verdadeira felicidade vem por intermédio da purificação da mente, e da tranquilidade mental...
 
Então, toda a prática dos Ensinamentos do Buddha é um esforço por purificar a mente.
 
Agora, "purificar a mente" quer dizer, que libertamos a mente da excitação emocional, da agitação emocional... A verdadeira felicidade devemos adquiri-la por intermédio da purificação da mente.
 
Isto não é uma coisa que só o Buddha tenha dito, também mais tarde Jesus o disse, "Bem-aventurados os puros de coração, pois eles verão a deus"
O que significa isso? Significa que quando purificares o teu coração poderás ver deus em algum lugar exterior? Não.
Além disso, Jesus disse: "O Reino de deus está dentro de vós", ‘Reino de deus’ não é nada mais que o ‘reino da felicidade’, e então, essa felicidade está dentro de cada um.
 
Teremos de olhar para dentro de nós para encontrar a felicidade.
Há muitas coisas na Bíblia... há uma frase...de quietude..."Aquieta-te, e sabe: 'sois deus'"... Que quer dizer isso?
 
A quietude é a divindade.
 
Quando aquietas a tua mente, tornas-te deus. Assim é, como quando aquietas a tua mente, vês deus. Isto claro, de um ponto de vista Buddhista. O termo "deus", não se refere a "o criador do mundo" ou a qualquer outra "pessoa" exterior... "Deus" é simplesmente a Bondade, personificada. E a Bondade é a pureza da mente... e a tranquilidade... Quando a mente se purifica, automaticamente tranquiliza-se, porque "impureza" quer dizer ‘agitação emocional’, ou ‘excitação emocional’. Isso é a impureza.
 
E quando essa agitação emocional desaparece, a mente tranquiliza-se. Isso é o importante que devemos compreender.
 
 
 
Meditação: Mudança de canal
 
O Buddha além disso, não só disse: sê calmo, tranquilo... isso não foi tudo o que disse... Mostrou-nos a FORMA de fazer com que a mente se tranquilize. Isso é importante.
 
Para que a mente se tranquilize é muito importante compreender que a nossa emoção não pode ser controlada pela nossa razão... Simplesmente raciocinando que certas coisas são más e certas coisas são boas, isso não nos vai ser de muita ajuda para obter controle sobre a emoção.
 
É por isso que quando a emoção e a razão entram em conflito, a emoção ganha sempre. Esse é o problema.
 
Então, se a emoção ganha sempre quando a razão e a emoção entram em conflito isso quer dizer que a razão não pode controlar a emoção.
 
Então, como podemos obter controle sobre a emoção?
 
Há um segredo que temos de saber. E esse segredo é, que a emoção é controlada pelo nosso imaginar.
 
A imagem na mente, isso é o que controla a emoção. Toda a agitação ou excitação emocional é acompanhada de uma imagem na mente.
 
Se é um desejo, tens uma imagem do que desejas na tua mente.
Se é irritação, tens uma imagem dessa pessoa ou coisa com que estás irritado, na tua mente.
Se estás assustado, tens uma imagem do que com é que estás assustado… etc.
 
Então, se queres desfazer-te de uma emoção, o que deves fazer é desfazer-te dessa imagem. Desfazer-te da imagem mental.
 
É como mudar de canal na TV. Se não te agrada certa película ou que te esteja desagradando vê-la... que talvez te faça chorar... simplesmente mudas de canal, e vês uma imagem feliz, agradável, e o teu estado de ânimo muda completamente...
 
De maneira similar, podes mudar de canal na tua mente. Isso é o que significa a meditação.
 
Meditação é principalmente aprender a mudar a imagem na tua mente...
 
A imagem mental é muito importante.
 
 
 
O Método
 
Perspectiva, Orientação, Conduta.
 
Existe uma técnica assinalada pelo Buddha. E essa técnica é o que se chama normalmente "O Nobre Caminho Óctuplo"... Eu chamo-lhe "A Via Super normal Óctuplo".
 
Chamo-lhe "Super normal" porque não é algo ‘normal’ praticar isto. As pessoas não praticam isto normalmente. E ao praticá-lo não quer dizer que te tornes anormal. Na realidade sobes a um nível superior de felicidade, e é por isso que te tornas "super normal".
 
A palavra 'Ariya'... é a palavra 'Ariya' que traduzem como 'Nobre' com frequência... Mas aqui o Buddha usa essa palavra com um sentido especial. E esse sentido especial não é só 'Nobre', é ‘ir mais além do normal’. Um estado super normal.
 
O estado normal era chamado 'Putujjana'. 'Putu' significa 'comum'. 'Jana' quer dizer 'gente', 'O povo'. 'A gente comum', que quer dizer, o estado normal.
 
Então, devemos ir mais acima do estado de 'putujjana' e entrar no estado de 'ariya'.
 
Isso quer dizer, que devemos ir mais acima do estado normal e entrar no estado super normal.
Isto é muito importante de entender.
 
E para entrar nesse estado super normal, devemos começar pelo que  eu chamo  uma 'mudança de paradigma'.
 
Uma mudança de paradigma é mudar a maneira de pensar.
 
 Isto foi reconhecido pelos psicólogos modernos chamados psicólogos cognitivos, ou terapeutas cognitivos. Eles fazem uso do facto, de que a nossa maneira de pensar é o que determina o nosso estado emocional.
 
Mas o simples pensamento por si só não vai ajudar-nos a mudar a emoção. Deve passar por um mudança da imagem mental.
 
É por isso que o segundo passo do Buddha era mudar a imagem, 'Samma Sankappa'.
 
O primeiro passo era 'Samma Ditthi', a ‘Visão Correcta’, ou como eu lhe chamo, a ‘Perspectiva Harmoniosa’.
 
É 'Harmoniosa'... 'Samma' na realidade significa 'harmonioso', e é 'Harmoniosa' porque "traz consigo harmonia". Sem conflitos...
É 'Harmonia' porque, normalmente a nossa mente está em conflito... independente de entrarmos em conflito com os outros, entramos em conflito com a realidade da impermanência, porque queremos sempre permanência, e além disso entramos em conflito com nossa própria mente, porque uma parte de nossa mente diz "não", e a outra parte diz "sim"... Então há conflito interior...
 
E então, esta perspectiva, que é compreender a realidade da vida é a 'Perspectiva Harmoniosa'.
 
E uma vez que adquirimos esta 'Perspectiva Harmoniosa', de imediato o nosso objectivo deve mudar, a nossa meta na vida não é ir atrás dos prazeres, mas sim da felicidade, que é um estado de tranquilidade, de tranquilidade mental...
 
E este objectivo da tranquilidade é o que se chama 'Nirvana'...
 
'Nirvana' não é outro tipo de céu para onde devemos ir... na realidade 'Nir' é 'Não', 'Vana' é 'Agitação', 'Movimento', a quietude da mente.
E 'Nirvana' é uma mente que nunca pode ser agitada. A mente inagitável. A mente que não se perturba. A imperturbabilidade da mente.
 
E, uma vez que fazemos disto o nosso objectivo da vida, então começamos a falar tranquilamente [Samma Vaca], começamos a actuar tranquilamente [Samma Kammanta], e começamos a viver tranquilamente [Samma Ajiva]...
 
Quer dizer, a nossa conduta ou comportamento tranquiliza-se.
 
 
Exercício Harmonioso.
 
E uma vez que tenhamos feito com que a nossa conduta se acalme, imediatamente começamos a fazer com que a mente se tranquilize por intermédio do processo que hoje conhecemos como 'Meditação'.
 
Mas o Buddha chamou-lhe, 'Exercício Harmonioso' [Samma Vayama]
O 'Exercício Harmonioso' é na realidade, praticar um exercício mental. Quer dizer, a MEDITAÇÃO é na realidade um exercício mental e não necessariamente ‘sentar-se a “meditar”’
 
E este tem 4 partes:
 
1. Primeiro, é evitar que a mente se excite, se agite.
 
2. A segunda é, desfazer-se da agitação que já surgiu e tranquilizar a mente. Uma vez que se tenha agitado...
 
3. A terceira, é focalizar a nossa atenção de maneira apropriada, quer dizer, a atenção focaliza-se no nosso objectivo... de tranquilidade…
 
4. e a quarta, é manter e preservar esta focalização...
 
Assim tranquilizaremos a mente.
 
 
Quando falamos de "evitar que a mente se perturbe", temos que compreender que a mente se perturba devido à reacção ao estímulo.
 
Isso quer dizer, que quando vemos algo, se reagirmos a ele, a mente perturba-se. Pode acontecer que vejamos algo agradável, e se começarmos a pensar em 'Oh, que belo que é', e começarmos a excitar-nos emocionalmente, isso é uma perturbação...
 
Ou se vemos algo desagradável, e reagirmos a ele, novamente isso é uma perturbação.
 
Então, se podermos deter o pensamento do agradável das coisas, ou do desagradável das coisas, deteremos a reacção...
 
Agora, isto é algo a ser praticado, não ocorre de uma só vez, é por isso que é um exercício. É um exercício a ser praticado. Somente se praticarmos este exercício nos tornamos eficientes nele.
 
 
A Reacção Emocional aos estímulos dos sentidos.
 
Porque normalmente quando vemos algo agradável, começamos automaticamente a pensar no belo que é, ou se ouvimos alguma música, começamos novamente a pensar em quão agradável é, ou cheiramos algo agradável, de novo pensamos nisso... ou saboreamos algo agradável, pensamos no agradável... ou tocamos algo agradável, pensamos no agradável...
 
Então se continuarmos pensando no agradável daquilo, mais desejos surgem... e não é só, não é só coisa de um mero pensamento, todo o nosso corpo começa a mudar com a excitação emocional, a agitação...
 
Segregam-se hormonas no sangre, e estas hormonas são transportadas às distintas partes do corpo, e as distintas partes do corpo começam a modificar a sua conduta, e surge tensão no corpo, e essa tensão põe-nos incómodos.
 
Então, toda a excitação emocional produz tensão no corpo, e incomoda-nos...
 
Só a libertação da tensão (que vem da emoção) em acção, é que nos liberta da incomodidade da tensão e voltamos a sentirmo-nos cómodos...
 
Mas o problema é… hoje todas estas pessoas que falam de stress e da manipulação do stress, que dizem? ‘Não é possível libertar sempre esta tensão. ‘
 
Quando surge um desejo, não é possível satisfazer sempre esse desejo.
Quando surge uma aversão, não é possível desfazermo-nos sempre do que rejeitamos.
Quando surge um medo, não é possível expulsar sempre o que tememos.
 
Desta maneira, a tensão permanece.
E estas tensões vão-se acumulando.
E então a acumulação da tensão no final conduz a um colapso nervoso. Este é o problema.
 
Então, se podemos aprender a deixar de reagir, mediante não pensar no agradável do que vemos, ouvimos, cheiramos, saboreamos, tocamos...e se podemos evitar pensar no desagradável do que vemos, ouvimos, cheiramos, saboreamos, tocamos... então deixamos de reagir a isso.
 
E se deixamos de reagir a isso, então a nossa mente não se excita, não se agita.
 
Então, o passo seguinte é, se por alguma razão a mente se agita, temos de ser capazes de nos desfazermos dessa agitação.
 
Como fazemos isso?
 
Quando a mente está agitada, podemos ver que há uma imagem na mente.
 
Inclusive se a agitação não vem de uma experiência imediata, ou vem de uma recordação, pensamos em algo que ocorreu no passado, e no momento em que o fazemos a nossa mente perturba-se...
 
Então, se podermos aprender a tirar essa recordação da nossa mente, no momento em que a recordação vem à mente, deixamos de pensar nisso,  mudamos a imagem e então entramos num estado de ânimo diferente, podemos entrar num estado de ânimo feliz  mudando de canal!
Isto é o importante.
 
Esse é o segundo passo no Exercício Harmonioso.
 
Ambos os passos lidavam com os objectos a que reagimos.
 
Há dois tipos de imagem. Uma é a imagem perceptiva, que é a imagem de quando vemos algo, ouvimos algo... no presente imediato.
 
Essa é a imagem perceptiva.
 
 
Reacção versus Resposta, Emoção versus Razão.
 
Devemos aprender a responder conscientemente às situações.
Essa é a diferença entre reacção e resposta.
 
Uma reacção é inconsciente. Ocorre automaticamente.
Enquanto que uma resposta é um acto tranquilo, pensado, racional.
 
Então, só quando somos capazes de responder às situações é que a nossa razão está governando a nossa conduta. De outra maneira, é a emoção que governa a conduta.
 
Essa é a diferença entre os animais e o ser humano... o ser humano também é um animal, Mas a diferença entre o ser humano e os demais animais é que o ser humano é capaz de pensar e raciocinar, e actuar racionalmente.
 
Mas isto não significa que todo o ser humano faz isto a todo o momento. Esse é o problema. Não estamos fazendo uso dessa capacidade.
 
O propósito dos Ensinamentos do Buddha é ensinar as pessoas a tornarem-se completamente humanas. E esse estado, em que realmente podemos actuar racionalmente, é o estado de perfeição espiritual, que também é chamado "divino".
 
Então elevas-te acima do estado humano normal, que é uma mistura de 'deus' e 'diabo', Mas quando alcanças esse estado mais elevado tornas-te completamente 'deus'... 'deus' quer dizer, aquele que é bom em todo o aspecto, porque estás actuando racionalmente...
 
Ser bom é actuar racionalmente em vez de emocionalmente.
 
A conduta emocional é boa só para os animais, os “animais inferiores”, os que inclusive poderíamos chamar 'bestas', Mas ser completamente humano é tornar-se divino.
 
É por isso que é um estado super normal, não é um estado normal.
 
Então estamos tentando elevar-nos acima do estado normal e alcançar o estado super normal.
 
 
Níveis de Tranquilidade Mental, os Jhanas
 
Agora, ao alcançar o estado super normal existem distintos níveis de pureza e tranquilidade mental. E estes distintos níveis de pureza e tranquilidade são o que chamamos 'Jhanas'.
 
Algumas pessoas crêem que os Jhanas são uma espécie de estado hipnótico. Não é um estado hipnótico. É um estado de pureza e tranquilidade [mental].
 
Temos o que se chama os Quatro Jhanas, e quando falamos do Primeiro Jhana, o Primeiro jhana é onde toda a excitação ou agitação emocional desapareceu...
 
Quando falamos de ‘excitações emocionais’ falamos dos cinco impedimentos, ou o que eu lhe chamo, os 'Cinco Obstáculos'...
 
O primeiro chama-se 'kamacchanda', que é o desejo por prazer sensorial
O segundo é 'vyapada', que é aversão, ódio...
O tercero é letargia, sonolência... que também é um estado emocional.
O outro é, agitação e preocupação, ou ansiedade e preocupação.
E o último é, 'vicikiccha', usualmente traduzido como 'dúvida', Mas não é realmente 'dúvida', é um estado de vacilação mental, onde a mente está dividida e não somos capazes de tomar uma decisão apropriada, estamos indecisos, a mente está confundida, uma confusão mental...
 
Então estes cinco obstáculos desaparecem completamente, quando a mente se tranquiliza, e aparecem cinco aspectos na mente: vitakka, vicara, piti, sukha, ekaggata.
 
Vitakka-vicara refere-se ao pensamento conceptual: na forma de pergunta e resposta... Podes olhar para alguma coisa e pensar: "O que é isto?", e respondes, " isto é um microscópio", ou " isto é um livro", ou " isto é um bolso", é simplesmente a formação de um conceito.
 
A formação de um conceito pode ser um bom conceito ou um mau conceito. Um mau conceito é um conceito que produz agitação emocional. Um bom conceito é um conceito que tranquiliza a mente.
 
Então quando entramos no Primeiro Jhana, só há bons conceitos, conceitos tranquilizadores...
 
E, devido a que a mente se purificou, começas a experimentar
'Felicidade' [Piti], 'Alegria'…
 
Imediatamente... o corpo se relaxa, os músculos do corpo relaxam-se todos, e quando os músculos se relaxam começas a sentir-te muito cómodo [Sukha], então há felicidade mental ou alegria, e comodidade física...
 
É Cittekkagata. Ekkagata quer dizer que a mente tornou-se numa unidade, porque normalmente a mente está dividida: a emoção quer uma coisa, a razão quer outra coisa... então a tua mente está normalmente dividida em dois... é aqui onde a tua mente está completamente tranquila, podes actuar racionalmente nesse estado...
 
Este estado mental é o Primeiro Jhana...
 
Há inclusive estados mais profundos de tranquilidade. Este é só o primeiro nível.
 
Quando chegamos ao segundo nível [2° Jhana], o que ocorre é que inclusive esse pensar, a formação de conceitos, essa parte detêm-se e ficas só com a 'Felicidade' [Piti], 'Comodidade' [Sukha], e a ‘Quietude Mental’ [Ekkagata]
 
Quando entras no Terceiro Jhana, a 'Felicidade' [Piti] desaparece, porque é vista como uma excitação, uma agitação... inclusive a 'Felicidade'… então isso desaparece quando tranquilizas a mente [ainda mais].
 
Isso não quer dizer que há infelicidade. Não é infelicidade, é um estado neutral, em paz.
 
E logo, te tranquilizas ainda mais, e entras no Quarto Jhana.
Quando isso ocorre, inclusive a 'Comodidade' [Sukha] desaparece. Porque inclusive a comodidade é vista como um tipo de tensão, e isso também desaparece, e te tranquilizas e relaxas completamente. ‘Cómodo’ não no sentido de uma sensação agradável, mas sim de um estado de muita paz na mente.
 
E podes inclusive ir mais além disso.
Mas de momento, creio que ficamos bem.
Chega para que entendam que a tranquilidade e o relaxamento é a felicidade verdadeira.
E esta felicidade verdadeira foi alcançada pelo Buddha elevando-se acima do estado normal para um estado super normal que é chamado também, 'estado divino'... ou 'perfeição espiritual'.
 
Agora, esse estado Ele ensinou-o, e muitos dos seus discípulos alcançaram esse estado.
 
Inclusive, aqueles que hoje começam a compreender isto correctamente e o praticam são capazes de alcançar esse estado...
 
Mas o problema é, quantas pessoas realmente querem faze-lo? e quantas pessoas realmente o praticam?... Esse é o problema...
 
E quantas pessoas realmente compreendem como praticá-lo?... Esse é o problema...
 
Hoje, mais de 2500 anos depois do Buddha, o Ensinamento do Buddha perdeu-se na verdade.
 
Há tantas Escolas diferentes de Buddhismo interpretando os Ensinamentos de distintas maneiras.
 
O Ensinamento Original ainda se encontra nos livros, Mas muito poucas pessoas o entendem realmente. É por isto que é muito importante que as pessoas que estão interessadas em estudar o Buddhismo, o façam. E não é só estudá-lo, mas praticá-lo, e tratar de alcançar esse estado superior de felicidade chamado 'Nirvana'... 

Bhante Punnaji